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APRENDIZADO
NA EUROPA (1948, 1949 E 1950)
"Che cosa ha
fatto lei, per diventare un maestro?", pergunta-me
De Chirico ao ver as fotos das cópias que executei
no Louvre.
Encontrei surpreendente facilidade em copiar diretamente
do original, o que não ocorreu com as reproduções,
em Roma.
"Non gira", diz De Chirico, crítico,
quando não sente a profundidade, o relevo da
imagem."Trompe-l'oeil", para Lhote. "Après
Cézanne tout a changé. Peinture à
plat", pontifica.
No dia da correção - uma vez por semana
- ele circula, de guarda pó e viseira, entre
os alunos, criticando as obras que apresentam. Enfático:
"La couleur ne se modèle pas".
"Una stupidaggine", responde De Chirico,
incisivo. "L'ho conosciuto a Parigi. Lui sembra
un parrucchiere". E acrescenta: "La pittura
è una bella stoffa, uno bello tessuto".
De Chirico ama a sensualidade da matéria. Por
isso faz a imprimatura da tela e usa óleo cozido,
espesso.
Assimilo e pratico as duas técnicas, simultaneamente,
sem medo de corromper minha linguagem incipiente.
Pela manhã, freqüento a Academia Lhote.
À tarde, copio os antigos no Louvre. "Voilà
le chef-d'oeuvre de la semaine. Voilà un qui
a tout compris", disse Lhote diante de meu quadro,
executado na academia.
Sinto-me gratificado.
"O que não me mata, torna-me mais forte",
proclama Zaratustra.
A necessidade de expressão cria a linguagem.
O imperativo da regra mata a criação.
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