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PRIMEIRA PROPOSTA
a) Apresente a reprodução de Riacho:
Para avaliar a familiaridade dos alunos com a leitura
de obras de arte, inicie um diálogo com perguntas
que não direcionem o olhar dos alunos para determinados
aspectos. As primeiras questões devem ser abertas
para dar liberdade às suas respostas, tais como:
- O que vocês podem falar sobre esta imagem?
Sobre o que trata este quadro?
Se os alunos responderem com comentários sobre
o que está concretamente representado na imagem,
como: "é um mato", "tem uma cascata
ali", "tem o reflexo das árvores na água";
ou sobre a maneira de pintar do artista, como: "não
está igual à realidade", "está
borrado", é sinal que eles concebem a arte
como representação do mundo, das coisas
que existem ou acontecem. Para eles a arte deve mostrar
a realidade, os fatos. O papel do artista ainda não
é respeitado, reduzindo-se a mostrar as coisas
como elas são. Os autores denominam esta concepção
de realística, porque exige da arte a função
de reprodutora do real.
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Riacho, óleo s/ tela, 30 X 40 cm, 1942.
Coleção Alice Soares de Souza
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Quando
os alunos pensam desta maneira, o mais importante na imagem
é a beleza do tema e o realismo da obra. Convém,
então, não centrar a leitura nos elementos
formais da composição, já que os
alunos têm muito interesse em analisar o assunto
que está representado (ou parece estar, no caso
de abstrações): o que é, ou o que
parece ser; se é algo bom ou ruim, bonito ou feio;
se está bem feito; se está "bem copiado"
da realidade, etc. O julgamento vai considerar se o tema
é bom e se a pintura está bem feita. Por
isso, às vezes aparece um conflito na hora de julgar
a qualidade da obra: "É uma boa imagem porque
mostra a natureza, apesar de não ter um bom acabamento."
Se você, professor, perceber que a compreensão
estética de seus alunos tem estas características,
após a primeira pergunta (acima), leve o diálogo
para questões que possam dar conta das indagações
que eles devem estar fazendo à obra, enquanto a
olham, tais como: |
- É
um rio? Um riacho? O que mais vocês estão
vendo aqui? São árvores apenas, ou dá
para perceber outro tipo de vegetação? O
que representam estas formas aqui? [apontar as formas
que sugerem casas].
- Existe alguma forma, na imagem, que seja semelhante
à realidade?
- As cores são semelhantes as da realidade? Quais?
- Vocês já estiveram num lugar como este?
Onde? Quando?
- Onde será este lugar?
- Será que Iberê Camargo pintou esta obra
enquanto olhava para este lugar, ou a pintou de memória?
Os artistas podem pintar cenas que guardam na memória?
Ou da imaginação?
- Por que será que o artista pintou esta cena?
- Esta obra é boa? Por quê?
- Ele poderia ter pintado esta cena de outra maneira,
mais parecida com a realidade, ou mais parecida com uma
fotografia? Por que será que ele preferiu pintar
desta maneira?
- A gente pode desenhar ou pintar algo de um jeito diferente
do que a gente vê?
Estas questões são pertinentes para os
alunos que demonstram, ainda, uma concepção
ingênua, isto é, realística, da
arte. Porém, sem desrespeitar suas possibilidades
atuais, questionam suas hipóteses, fazendo-os
refletirem de modo mais complexo e adequado do pontos
de vista estético.
Após o diálogo, pode-se fazer uma proposta
de produção, onde os alunos possam expressar
as suas idéias, a partir da leitura da obra,
como por exemplo: vamos pintar, com têmpera (ou
outra tinta), uma cena ao ar livre. Esta cena pode ser
de memória, da imaginação, como
também inspirada na obra Riacho.
Conforme a idade, o nível de escolarização
e a experiência com arte, os alunos farão
seu trabalho. Se forem crianças, demonstrarão
o realismo intelectual, e mais tarde, o realismo visual,
quando provavelmente não se deixarão influenciar
pelas pinceladas expressionistas de Iberê Camargo.
Mais tarde ainda, poderão valorizar a deformação
e usá-la nos seus trabalhos.
b) Apresente a reprodução de Auto-retrato:
As questões iniciais sempre devem propiciar
a abertura das respostas e nunca a convergência
para respostas únicas e óbvias:
- Vamos descrever esta imagem? O que estamos vendo
aqui? De que trata?
No caso desta imagem, as respostas poderão tentar
identificar o que está sendo mostrado: "parece
um rosto", "parece que está de chapéu",
"parece que o rosto é quadrado", "os
rabiscos mostram uma forma ali", "parece um
bule de café", "parece que ele está
chorando", e outras, que possam relacionar a forma
com algo concreto, fisicamente representado.
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O diálogo
pode seguir de forma a responder as indagações
(implícitas) dos alunos:
- São só rabiscos? O que podemos ver
por entre os rabiscos? Um rosto?
- De quem é este rosto? É do próprio
artista? É um retrato?
- Quando o rosto de alguém é feito
em pintura, ainda se chama retrato? Ou só
é retrato quando é feito por fotografia?
A Mona Lisa é um retrato?
- Sabem como se chama um retrato que foi pintado
pela própria pessoa retratada?
- Você conhecem outros auto-retratos? De
quem?
- Vamos ver outros auto-retratos? [aqui pode-se
mostrar auto-retratos de outros artistas, para
que os alunos conheçam diversos estilos,
como: acadêmicos, impressionistas, cubistas,
expressionistas, fotográficos, etc. Pode-se
discutir brevemente sobre eles, sugerindo uma
comparação, apontando diferenças
e semelhanças entre eles].
- Existem diferenças entre retratos em
pintura e os fotográficos? Quais são
elas?
- Retratos em pintura ou desenho têm que
ser parecidos com as pessoas? Por quê?
- Será que Iberê Camargo quis se
retratar como aparecia no espelho?
- As cores são semelhantes à realidade
de um rosto?
- Vocês já fizeram o seu auto-retrato?
Após o diálogo poderá ser sugerido
que os alunos façam retratos dos colegas
ou auto-retratos, tentando colocar neles um elemento
que não seja perceptível por todos.
Os trabalhos devem apresentar uma marca diferente,
uma cor incomum, enfim, qualquer coisa que possa
caracterizar o colega ou a si mesmo, de maneira
diferente do que aparece no espelho. Se os alunos
forem crianças, farão o trabalho evitando
deformações intencionais, o que também
deve ser aceito.
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Auto-retrato,
óleo s/ tela, 35 X 25 cm, 1984.
Coleção Maria Camargo,
Fundação Iberê Camargo |
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