Arquiteto

Álvaro Joaquim Melo Siza Vieira nasceu em 1933 na cidade de Matosinhos, na região metropolitana do Porto, em Portugal. Em 1949, apesar do grande interesse que nutria pela escultura, acabou ingressando no curso de arquitetura da Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP), persuadido por seu pai. A opção pela arquitetura, porém, se solidificou quando, ainda estudante, conheceu as obras de Gaudí. Também encontrou inspiração na de Oscar Niemeyer, que, na época, exercia grande influência sobre a escola do Porto. Siza, entretanto, nunca abandonou o exercício da escultura e do desenho.

Sua carreira profissional foi precoce, realizando os primeiros projetos antes mesmo de se formar, em 1955. Também trabalhou como estagiário e depois como arquiteto no escritório de Fernando Távora, seu respeitado e reverenciado professor. Os primeiros projetos do escritório que montou, a partir de 1958, chamaram já a atenção da imprensa local – de maneira negativa, é verdade. Esse dissabor inicial, todavia, foi devidamente compensado por uma grande quantidade de prêmios que não parou e não para de receber. Entre eles, o Prêmio Europeu de Arquitetura da Comunidade Econômica Europeia, o Prêmio Mies van der Rohe, a Medalha de Ouro da Fundação Alvar Aalto, o Prêmio Pritzker e o Prêmio Imperial. Desde cedo, o arquiteto empenhou-se na proposta de não ser tradicionalista sem abandonar suas raízes, construindo uma obra caracterizada pela incessante busca do novo. São próprias dos projetos de Siza a complexidade formal e a simplicidade do desenho, com investidas constantes nos planos horizontais, na clareza das formas e no requinte dos espaços.

A partir de 1966, começou, na própria escola onde se formou, uma carreira intermitente de professor. Foi professor convidado de inúmeras escolas mundo afora e não dá conta dos convites para proferir palestras. Tem o reconhecimento honorário das universidades de Valencia, Lausanne, Palermo, Santander, Lima e Coimbra. As exposições de sua obra circulam pelo mundo e já foram vistas na Bienal de Veneza, na Trienal de Milão, no Centro Georges Pompidou em Paris e no Museu de Arquitetura de Helsinki.

Siza participou ativamente de algumas das operações arquitetônicas mais importantes do mundo, como a Olimpíada de Barcelona e a Expo 98, de Lisboa. Também integrou a equipe que recuperou o Chiado, centro histórico de Lisboa destruído por um incêndio em 1998.

Atualmente, é considerado um dos mais importantes arquitetos contemporâneos do mundo, e tem obras de sua autoria espalhadas por toda a Europa - como o Museu Serralves, na cidade do Porto, e o Centro Galego de Arte Contemporânea, em Santiago de Compostela. A sede da Fundação Iberê Camargo foi seu primeiro projeto no Brasil.

Definida por ele como uma “quase escultura” – em que luz, textura, movimento e espaço são cuidadosamente explorados –, a edificação favorece a relação direta entre o espectador e a obra de arte, e torna o contato com o trabalho de Iberê ainda mais rico. O projeto foi coroado com o Leão de Ouro da 8ª Bienal de Arquitetura de Veneza, um dos mais importantes eventos da área.