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A Sede

Durante 13 anos, a Fundação Iberê Camargo teve como sede a casa onde o artista viveu e manteve seu ateliê desde 1988, na zona sul de Porto Alegre. Em maio de 2008, porém, a instituição inaugurou sua nova sede, primeira edificação do arquiteto português Álvaro Siza no Brasil. O projeto, que recebeu o Leão de Ouro na Bienal de Arquitetura de Veneza, em 2002, configura-se como um referencial arquitetônico não apenas para a cidade de Porto Alegre, mas também para o País.

A Fundação conta com uma área total de 8.250m², construída em um terreno doado em 1996 pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, às margens do Guaíba. O trabalho técnico de planejamento do espaço foi realizado ainda em 1999, mesmo ano em que Siza foi convidado a desenvolver a parte arquitetônica, dando início ao projeto – cujas obras foram iniciadas com o lançamento da pedra fundamental, em junho de 2002.

Primeira no Brasil a utilizar concreto branco aparente, armado em toda a sua extensão, a construção não utiliza tijolos ou elementos de vedação. Além do impacto plástico, o material oferece alta durabilidade e baixa manutenção. Desenvolvido pela construtora Camargo Corrêa em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi um dos vencedores do 3º Prêmio de Tecnologia e Construtividade, criado pela UN Infra-estrutura.

Com a inauguração da sede, a Fundação Iberê Camargo pode ampliar todas as suas atividades: o Acervo ganhou as condições mais avançadas de armazenamento e preservação; o projeto de Catalogação e Pesquisa se fortaleceu; o Programa Educativo passou a ter mais atividades e a receber mais escolas; os Ciclos de Palestras cresceram (e passaram a ficar disponíveis em podcasts no site); o Programa Artista Convidado do Ateliê de Gravura ganhou mais espaço e uma programação constante; e, sobretudo, a instituição expandiu seu programa de exposições. Além de apresentar obras de Iberê Camargo e de outros grandes nomes da arte brasileira, nos últimos anos a Fundação realizou mostras em conjunto com instituições como o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) e a Fundação Cisneros.

Com nove salas de exposições distribuídas ao longo de três pavimentos, além de um grande espaço no piso térreo, o prédio tem cerca de 1.300m² disponíveis para exibição de pinturas, gravuras, desenhos, esculturas, instalações, vídeos e outras obras.

Além destes espaços, conta com a Reserva Técnica – que abriga o Acervo de mais de 5 mil obras de Iberê Camargo –, um auditório com 100 lugares, uma cafeteria, uma loja e um estacionamento subterrâneo para 100 carros, localizado sob a via pública, em área cedida em comodato pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre.

Dois ateliês também atendem a demanda da Fundação: um deles é dedicado à gravura e o outro está destinado a atividades do Programa Educativo.

Projetada de acordo com padrões internacionais, a Fundação Iberê Camargo segue rígidas normas de conservação e segurança das obras, além de atender aos critérios de acessibilidade, disponibilizando, inclusive, cadeiras de rodas para os visitantes.

A sede abriga mais de cinco mil obras de Iberê Camargo. O Acervo é formado pela Coleção Maria Coussirat Camargo, constituída por pinturas, gravuras, desenhos, guaches e diversos estudos criados pelo artista. Há, ainda, um acervo documental onde estão fotos, cartas, catálogos, recortes de jornais e revistas, slides e cadernos de notas de Iberê.

O Programa Artista Convidado do Ateliê de Gravura, que leva nomes da contemporaneidade a criarem trabalhos na técnica de gravura em metal, utilizando a prensa alemã que pertenceu a Iberê Camargo, também vem gerando uma importante coleção de obras de outros artistas para a Fundação.

Com o objetivo de ser um centro difusor da arte moderna e contemporânea, a Fundação realiza exposições das obras de Iberê Camargo e de artistas do Brasil e do exterior, funcionando como um centro cultural em que são realizados mostras temporárias, seminários, palestras e estudos sobre a produção artística atual.

O projeto também é ambientalmente responsável: visando a recuperação da paisagem original existente nas encostas do terreno (12.000m² de área verde, cedidos formalmente pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente à Fundação, que a adotou), o consumo de energia é baixo, a água da chuva é reutilizada nos banheiros e uma pequena estação de tratamento de efluentes cuida dos resíduos sólidos e líquidos no próprio local. A água resultante do processo serve para regar a vegetação.