Entrevista com Carlito Carvalhosa
Carlito Carvalhosa participou do programa Artista Convidado em junho de 2004, no ateliê da Fundação Iberê Camargo, momento em que concedeu esta entrevista. Pintor, escultor e gravador, o artista foi integrante do Grupo Casa 7, na década de 80, junto de Rodrigo Andrade, Fábio Miguez, Nuno Ramos e Paulo Monteiro. No seu currículo de exposições, destacam-se as realizadas em espaços como Centro Cultural Banco do Brasil, Oca, Paço Imperial, Mac Niterói, Bienal de São Paulo, Bienal de Havana e Bienal do Mercosul.
É importante que os artistas venham, conheçam a Fundação, o que faz com que a Fundação fique ainda como um lugar de produção de arte, como era quando o Iberê era vivo.
Como foi a experiência no grupo Casa 7?
O que eu acho que foi interessante no Casa 7 é que a gente simplesmente se juntou para trabalhar, para dividir o espaço. Porque nós achávamos que precisávamos ter uma relação diária com arte, que precisávamos alugar um espaço. O que houve ali de especial foram duas coisas: tínhamos uma relação de amizade muito forte e de muita concorrência, uma relação muito agressiva, uma intimidade grande a ponto de você fazer um trabalho e as pessoas começarem a comentar – está bom, está ruim, uma porcaria. E, a outra coisa, foram os painéis em esmalte sintético sobre papel, que fizeram com que a relação que a gente tinha com a pintura acontecesse de uma maneira muito rápida, porque permitiam fazer muitos trabalhos por dia e com uma atitude mais solta, porque havia uma quantidade de material muito grande.
Então, a coisa essencial é que havia ali uma vontade forte de ser artista, de cinco pessoas que tinham uma relação muito intensa, de concorrência, de abertura para ouvir críticas. Nesse sentido, foi uma experiência muito rica. Mas era um período de formação. Eu acho que apesar de a gente evidentemente ter laços criativos e de amizade, o trabalho mesmo vai acontecendo depois – no Casa 7 nunca houve uma idéia de fazer um grupo no sentido de movimento artístico. Foi uma ótima experiência. Eu acho também que o grupo livra daquela coisa do intimismo no trabalho, de você ficar falando consigo mesmo e te põe numa situação de confronto, que eu acho boa, principalmente quando você está começando e pode enveredar por um lado de ficar ensimesmado.