33 Bienal de São Paulo [afinidades afetivas] – itinerância Porto Alegre

12.out

24.nov.19

As itinerâncias da 33a Bienal de São Paulo foram concebidas como uma nova camada que se sobrepõe às que compunham o projeto original, elaborado pelo curador geral Gabriel Pérez-Barreiro. A exposição realizada no Pavilhão da Bienal, em São Paulo, era constituída por um conjunto de níveis que se entrelaçavam: um pano de fundo (o conceito geral da exposição); as diferentes mostras organizadas por sete artistas-curadores; as participações individuais de artistas convidados diretamente pelo curador geral; e ainda as relações que se criavam entre todas essas instâncias. As itinerâncias, como a que aqui se apresenta, buscam operar quase que transversalmente em relação a esse conjunto de planos distintos, enfatizando os nós onde obras, artistas e pensamentos – que apareciam, na 33a Bienal, separados e distantes –, aproximam-se e atraem-se reciprocamente, assim como as moléculas e os elementos citados por Goethe em seu romance As afinidades eletivas (1809), uma das referências do projeto de Pérez-Barreiro.

Diferente da maioria das grandes mostras, em que é preciso moldar e transformar o projeto inicial por conta de limitações de toda ordem, na 33a Bienal manteve-se mínima a distância entre o mote original – delegar aos artistas-curadores grande parte da curadoria – e a realização final. Ou seja, a primeira ideia permaneceu tão visível e presente na exposição, tão “pura”, por assim dizer, quanto o era na primeira concepção. Desse ponto de vista, e apesar de abrir teoricamente mão de uma das prerrogativas essenciais da curadoria (a de escolher os artistas e as obras que integram uma exposição) a 33a é também uma das Bienais em que a mão e o pensamento do curador mantêm-se mais claramente presentes na exposição realizada.

A partir dessas premissas, tornou-se evidente que a maneira mais objetiva e transparente de lidar com as coordenadas conceituais da 33a Bienal em sua itinerância consistia em organizar mostras que não replicassem literalmente o que se viu em São Paulo, mas se afastassem das associações e justaposições ali apresentadas, para buscar outras relações, outras afinidades afetivas, e manter-se assim mais fiel às suas ideias centrais. As “narrativas” aqui propostas são parciais e pessoais, exatamente como as sugeridas pelos artistas-curadores em suas exposições, e não têm a ambição de esgotar os assuntos abordados pelos artistas e pelas obras da 33a Bienal. Algumas dessas temáticas e dessas relações serão percebidas facilmente pelo público, outras menos, mas o que importa é que, exatamente como na exposição original, o convite à atenção está feito, cabe agora a cada visitante observar e desenhar sua própria exposição.

Jacopo Crivelli Visconti
Curador do programa de itinerâncias da 33 Bienal de São Paulo – Afinidades afetivas

Galeria de imagens