Avesso

14.abr

03.jun.18

A ação Avesso, concebida e executada pelos artistas Andressa Cantergiani e Maurício Ianês, torna visíveis e presentes as estruturas, trabalhadoras e trabalhadores do museu, assim como os seus visitantes. Ao virar do avesso a instituição, a obra propõe um questionamento sobre como as relações são criadas dentro de um espaço institucional artístico, ampliando as possibilidades de criação e distribuição do sensível de forma coletiva e transparente, onde os afetos que atravessam, distanciam ou aproximam estas presenças temporárias são ampliados e revelados, em um espaço de discussão e criação política e estética.

Com duração de 49 dias, a ocupação performativa Avesso conta com a presença dos artistas aos sábados e domingos, durante todo o horário de funcionamento da instituição. Nas quartas, quintas e sextas-feiras, quando acontecem as visitas das escolas, o trabalho encontra-se aberto para visitação e participação do público.

No primeiro momento, os artistas propõem a ocupação do espaço expositivo e seu entorno (salas internas de trabalho da instituição, a cafeteria, o espaço externo do museu e sua vizinhança), criando diálogos com os visitantes, funcionários do museu e pedestres da área externa. Estes diálogos levam à construção de ações temporárias específicas, de acordo com o desejo dos participantes com a interlocução dos artistas.

Num segundo momento, Cantergiani e Ianês buscam resíduos nos lixos, depósitos da instituição, da cafeteria e da área externa do museu. Estes objetos não-perecíveis são usados para construir esculturas efêmeras com a participação dos visitantes. Para a manipulação destes objetos, são usadas luvas protetoras amarelas, penduradas à disposição do público em uma das salas.

O terceiro momento constitui-se da marcação com fita isolante dos corpos dos participantes e visitantes no espaço do museu. Estas marcações são feitas colocando o corpo em relação à arquitetura do museu. As relações serão, então, criadas a partir desta situação específica: artistas, trabalhadoras, trabalhadores e visitantes que ocupam e circulam pelo espaço do museu deixando estas marcas no piso que se entrelaçam através de um desenho work-in-progress com as fitas isolantes pretas. As relações, assim como o desenho com as fitas, vão acontecendo lentamente e se expandindo pelo espaço, criando intersecções e acumulações. O acúmulo destas marcações de corpos preenche, pouco a pouco, todo o piso das salas em uma rede labiríntica de corpos ausentes.

O quarto momento representa a marcação da presença dessas pessoas, visitantes e trabalhadores, nas paredes das salas de exposição. Os artistas solicitam aos funcionários da instituição, além dos visitantes, que escrevam seus nomes nas paredes, diariamente, junto aos horários do período em que eles estiveram presentes, usando sempre a mesma caneta preta. Esta rede de nomes compõe o processo de ocupação dos espaços, junto às outras ações.

Ao fim deste período, o resultado são salas preenchidas com nomes, marcações de corpos e esculturas de resíduos, criando uma grande ação-instalação em processo.

Andressa Cantergiani e Maurício Ianês

 

Imagem: Abertura da exposição “Avesso”, que esteve em cartaz na Fundação Iberê Camargo de 14 de abril a 03 de junho de 2018. Foto © Nilton Santolin

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