Conjuro do mundo – as figuras-cesuras de Iberê Camargo

06.nov

06.maio.12

Conjuro do mundo se centra na produção limiar de Iberê Camargo, aquela que começa com a Fantasmagoria e a Mímica até sua última tela Solidão, entre 1986 e 1994, passando pelas suas grandes séries da idiotia (Ciclistas, Tudo te é tão falso é inútil), mas, sobretudo, pretende mostrar algumas vertentes dessa época menos conhecidas do artista, como é seu trabalho de desenho-pintura, feito em guache, em técnica mista, e que oferece registro diferente das grandes e míticas telas sobre a última figuração. Aqui, as figuras-cesuras do artista – sempre entre limites, em espaços abissais – das pinturas emblemáticas de grande formato ganham outra presença com essa proliferação de desenhos híbridos (de técnica e imaginário), muitas vezes generosos de tamanho e de ambição cromática, de outra leveza e proximidade espiritual, mas que são praticamente desconhecidos ou pouco reconhecidos.

A esta verdadeira surpresa estética unem-se outros aspectos criativos que oferecem um diferente perfil de Iberê, na medida em que enfatizam seu lado mais multifacetado, já que, além do aspecto especificamente plástico (desenhos, gravuras, telas) e como outra margem reconhecível, existe o território das charges feitas para a imprensa, sob o pseudônimo de Maqui, que revela o mesmo viés grotesco e crítico do artista, como também acontece com as cartas pessoais manuscritas incluídas. Esse universo textual e literário se potencializa com a recuperação dos Escritos italianos, escritos em seu período na Itália, mas ironicamente inéditos até agora, e que evidenciam a sua plural atividade em diversos campos da criação.

Conjuro do mundo descobre, de várias formas, os diversos Iberês do último Iberê Camargo.

Adolfo Montejo Navas

 

Imagem: Vista parcial da exposição “Conjuro do mundo – as figuras-cesuras de Iberê Camargo”, que esteve em cartaz na Fundação Iberê Camargo de 06 de novembro de 2011 a 06 de maio de 2012. Foto © Cristiano Sant’Anna

Galeria de imagens