Iberê Camargo: visões da Redenção

16.mar

30.jun.19

Iberê Camargo: visões da Redenção

“Há gente caminhando dentro de mim…”, escreveu Iberê. Pessoas em movimento, na cena da vida – na obra do artista.

No início da década de 1980, após 40 anos vivendo no Rio de Janeiro, Iberê Camargo retornou a Porto Alegre e passou a frequentar o Parque Farroupilha mais conhecido como Parque da Redenção. Nas caminhadas ao lado de sua esposa Maria Coussirat Camargo, observava a paisagem e o ir e vir de frequentadores como transeuntes, artistas, ciclistas e pessoas em situação de vulnerabilidade. Esses anônimos, transpostos com potência expressiva para seus desenhos, pinturas e gravuras, logo se transformaram em arquétipos de um pintor que enfrentava a dor e a realidade do mundo.

Iberê expressava as formas da natureza e da condição humana, “atingidas pela vida”, por meio de árvores fantasmagóricas e de personagens que habitavam a cena, sem rumo. Suas anotações que, à primeira vista, aparentavam ser simples registros da vida cotidiana, ganharam um significado maior, transformando-se em matéria-prima para algumas das obras mais famosas do artista, como a série Ciclistas.

O parque mais tradicional da cidade e palco das mais diversas manifestações sociais, culturais e políticas revelou-se, então, como um portal, um deslocamento da realidade para outra ordem no tempo. Delírio e devaneio – um novo estar no mundo.

Assim era Iberê Camargo e seu duplo o ciclista , que caminha dentro dele assim como a outra gente do Parque da Redenção.

 

Imagem: Iberê Camargo. sem título, c. 1987. Foto © Fabio Del Re_VivaFoto

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