Moderna para Sempre – Fotografia Modernista Brasileira na Coleção Itaú Cultural

19.maio

29.jul.18

Modernidade Quæ Sera Tamen

O fato de nossa modernidade fotográfica ser tardia não diminui em nada sua importância. Na verdade, ele nos inspira a avaliar modos de produção para além de questões cronológicas.

Atentos às transformações que ocorriam no mundo, os fotógrafos modernistas brasileiros devoraram influências para gerar uma nova fotografia, que teve como premissa uma leitura essencialmente criativa e de ruptura.

Exímios laboratoristas, nossos modernistas experimentaram os limites da alquimia fotográfica e os malabarismos criativos que o quarto escuro possibilita – levando a eterna polêmica sobre linguagem e técnica dos limites da arte para dentro dos laboratórios.

Além disso, participavam ativamente de fotoclubes, matriz coletiva que, com seus salões, catálogos e concursos, deu origem às primeiras teias internacionais de fotografia, antecipando os blogs e as redes sociais de compartilhamento de imagens dos dias de hoje.

Isso possibilitou o conhecimento do que se fazia nos grandes centros da fotografia mundial e a exposição do que se produzia por aqui.

Também mérito de nossa produção modernista é seu caráter questionador, que vai além das explicações e leituras fáceis. Isso torna a exposição Moderna para Sempre um enorme desafio, na medida em que traz em seu cerne reflexões e provocações sobre a essência de um ato fotográfico que rompe paradigmas e atravessa décadas.

Diversas das obras aqui apresentadas são inéditas fora do circuito fotoclubista. Fazem parte de um acervo da fotografia brasileira pouco conhecido pelo público, mas que reverbera sua influência nos autores mais recentes.

Iatã Cannabrava

 

Imagem: Vista parcial da exposição “Moderna para Sempre – Fotografia Modernista Brasileira na Coleção Itaú Cultural”, que esteve em cartaz na Fundação Iberê Camargo de 19 de maio a 29 de julho de 2018. Foto © Fabio Del Re_VivaFoto

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