Náufragos na Correnteza do Tempo

08.dez

10.mar.19

Tudo o que existe evolui em direção ao fim. A degradação faz parte do processo de crescimento. Esta é a dura lição que Denise Gadelha enfrenta diante da perda de suas obras que estavam em um apartamento atingido por um vazamento de água devastador.

Na individual que apresenta na Fundação Iberê Camargo, a artista transmuta o caráter trágico da despedida ao encarar com otimismo o gesto de juntar os cacos
remanescentes e com eles construir novos trabalhos; novos horizontes.

Apenas duas obras originais que sobreviveram ao acidente compõem a mostra; os demais projetos, de caráter instalativo, foram na maioria concebidos especialmente em diálogo com o espaço do museu. A exceção é a obra Espaço-tempo permeável que foi comissionada para a exposição Antilogias: o fotográfico na Pinacoteca, em 2017. Apesar de ter sido incorporada ao acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo, será novamente apresentada aqui em Porto Alegre numa montagem totalmente diferenciada. No total serão apresentadas sete obras de base fotográfica, incluindo três instalações de grandes dimensões, que abordam a transformação física de imagens que sofreram desgaste pela ação da água, variação de temperatura e proliferação de mofo. A passagem do tempo sobre a matéria, mesmo aquela destinada ao registro da memória – como no caso da fotografia – é o tema desta exposição.

Imagem: Denise Gadelha. Sem título, 1999. Foto © Denise Gadelha.