#Selfie: Iberê em modo retrato

06.jul

25.ago.19

O avanço da tecnologia faz com que muitas das coisas presentes no mundo contemporâneo ainda não tenham uma definição exata. Grande parte delas ainda é uma sugestão teórica de evolução, enquanto outras se afirmam como um comportamento gerado pela democratização de um universo paralelo, pautado pelo digital. O exemplo que melhor resume esse contexto é o da selfie.

Sinalizada como um exercício de captura sobre a própria aparência, foi eleita em 2013 a palavra do ano pelo dicionário Oxford, que definiu o termo como uma fotografia que alguém tira de si e compartilha nas mídias sociais.

Um dos fenômenos atuais ainda pouco estudados, a selfie apresenta processos semelhantes aos da produção de uma imagem artística. Retratar ocupou lugar de destaque na arte ocidental a partir do século XIV, acompanhando os anseios sociais de projeção da imagem na vida pública e privada. Artistas produziram retratos como exercício de estilo, para explorar estados de espírito e também para uso do ofício como tema.

Homem-artista, Iberê Camargo produziu, ao longo da vida, obras retratando diversas pessoas e múltiplas representações de si mesmo. Dizia que “se retratar-se revela narcisismo, todos os pintores o são. Na sucessão de minha imagem no tempo, ela se deteriora como tudo que é vivo e flui. Muitas vezes, me interroguei diante do espelho. No passar do tempo, nos transformamos em caricaturas”.

Retratar-se é, portanto, a forma mais expansiva de autoexpressão visual. Traduzindo a vitória da imagem sobre o conteúdo, a selfie almeja o ideal de perfeição digno de registro sem expor o processo de construção da imagem final, ao mesmo tempo em que se torna uma ironia por utilizar recursos que forjam a realidade proposta, criando um padrão transumano que se nutre da tecnologia como matéria-prima.

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