Wesley Duke Lee – A zona: A Vida e A Morte

31.ago

27.out.19

Wesley Duke Lee – A  zona: A vida e A morte apresenta ao público trabalhos que vão de 1964 a 1967. Ao longo desses prolíficos anos, Duke Lee se transformaria, como ele próprio costumava dizer, em um “artista mental”, seguindo a antiga tradição de Leonardo da Vinci e, mais contemporâneo a sua obra, de Marcel Duchamp.

Do ponto de vista plástico, Duke Lee incorpora em suas pinturas e desenhos uma nova linguagem oriunda de uma aliança entre referências do romance gráfico (HQ, ou Graphic novel)  e da estrutura em sequência narrativa proveniente da tradição medieval. Tudo mesclado as suas experiências com LSD, suas relações erótico-amorosas, e sua  interação com o meio artístico, tanto no Brasil quanto no exterior.

O álbum inédito Jean Harlow – A Zona: A vida e A morte, de 1967, integra o eixo central da exposição, tendo as experiências temáticas e plásticas anteriores como um intenso processo de experimentação e convergência para a linguagem alcançada nas 38 pranchas apresentadas na sala central. São apresentadas algumas das obras denominadas pelo artista da série Lisérgicas, além das famosas Zonas, o álbum A história da moça que atravessou o espelho, de 1964 – que foi apresentada na 8ª Bienal de São Paulo – e Preparation Drawings for a Drawing, obra esta que o artista textualmente define como sendo onde ele “preparou a mão”, para executar Jean Harlow. Todas obras que incorporam um imaginário popular, da escrita como grafismo plástico que vai além do seu sentido textual, às construções de planos paralelos que se coordenam entre jogos de espelho, reprodução fotográfica e modelos vivos, integrando realidade, mito e sonho.

Ricardo Sardenberg