ZERO

05.dez

02.mar.14

Com 24 obras da Europa e da América do Sul, a exposição ZERO, pela primeira vez no Brasil, dá um panorama temático sobre a vanguarda internacional que influenciou decisivamente a arte do período pós-guerra com composições seriais e estruturas luminosas vibrantes.

Sobretudo na Alemanha, França, Itália, Holanda e Bélgica, os artistas se distanciam a partir do final dos anos 50 do gesto expressivo da pintura informal e reivindicam uma forma de arte que faça jus à realidade moderna. A luz se torna o material característico, a cor é dinamizada por meio de pontos de retícula e estrutura serial.

Em 1958, Heinz Mack e Otto Piene fundam o Grupo ZERO, ao qual Günther Uecker se juntaria três anos mais tarde. “ZERO é uma zona que não pode ser medida, na qual um estado passado se transforma em um estado novo e desconhecido.“ (Otto Piene)

Dínamo – sinônimo para movimento e mudança – se torna a mais alta expressão do período ZERO, o que é manifestado primeiramente em objetos rotativos que passam a se expandir no espaço com o passar dos anos. A multiperspectiva dinâmica se torna o recurso artístico central, e o espectador passa a ser, a partir de agora, “parte de um campo de força em movimento“ (Udo Kultermann).

O prazer em experimentar e a descoberta de novas técnicas se espelham na diversidade de materiais em ZERO. São usados materiais como pregos, placas de alumínio, vidro, espelho e corpos luminosos com os quais são criadas composições seriais que tomam o lugar da composição tradicional. Os elementos fogo, água e ar também se tornam em pouco tempo temas centrais do período ZERO – o princípio cósmico em sua amplitude infinita e sua mudança permanente, o motor principal.

ZERO representa também uma rede internacional na qual ideias e conceitos são discutidos animadamente. Desde cedo, ZERO opera em diálogo e transpassa o círculo fechado da cena artística nacional. É com Yves Klein e Jean Tinguely em Paris, bem como Piero Manzoni e Enrico Castellani em Milão que o Grupo ZERO mantém em especial um intercâmbio intensivo. Da mesma forma, há contatos estreitos com o grupo holandês NUL, formado por Armando, Jan Henderikse, Henk Peeters e Jan Schoonhoven. Artistas sul-americanos como Lucio Fontana (Argentina/Itália) e Almir Mavignier (Brasil/Alemanha) e o venezuelano Jesús Rafael Soto (Venezuela/França) fizeram parte do seleto circuito do ZERO.

O diálogo artístico nesta exposição foi ampliado com obras de artistas da América do Sul como Hércules Barsotti, Lygia Clark e Abraham Palatnik (todos no Brasil), Gego (Venezuela), assim como Gyula Kosice (Argentina) – próximos de ZERO do ponto de vista formal. Alguns dos artistas citados – como Clark, Kosice ou Palatnik – participaram de exposições cinéticas em conjunto com artistas do Grupo ZERO. Outros – como Barsotti e Gego – não tinham contato direto, porém se aproximam formalmente do ZERO.

Cronologicamente, a exposição se concentra, salvo poucas exceções, na fase inicial do Grupo alemão ZERO (Mack, Piene, Uecker), desde sua fundação no final dos anos 50 até a sua dissolução na metade dos anos 60.

Heike van den Valentyn

 

Imagem: Vista parcial da exposição “ZERO”, que esteve em cartaz na Fundação Iberê Camargo de 05 de dezembro de 2013 a 02 de março de 2014. Foto © Carlos Stein_VivaFoto

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