Iberê Camargo – O Fio de Ariadne

19.set

28.fev.21

Durante as décadas de 1960 e 1980, além de sua intensa produção em pintura, desenho e gravura, Iberê Camargo realizou trabalhos em cerâmica e tapeçaria. Eles respondiam a uma demanda do circuito de arte, herdada da utopia modernista, que preconizava o conceito de síntese das artes; uma colaboração estreita entre arte, arquitetura e artesanato. Pelas mãos das ceramistas Luiza Prado e Marianita Linck Iberê realizou, nos anos 1960, um conjunto de pinturas em porcelana, com resultados surpreendentes. Na década seguinte selecionou um conjunto de cartões, que foram transformados por Maria Angela Magalhães em impactantes tapeçarias. Muito presentes na arquitetura da época essas grandes tapeçarias eram chamadas por Le Corbusier de “murais nômades”.

Há algum tempo a Fundação Iberê vinha estudando essa faceta da produção do artista e a oportunidade de apresentá-la surgiu paralelamente à realização, pela primeira vez nas dependências da instituição, da Bienal do Mercosul. A conjuntura feminina que permeou a produção dessas tapeçarias e cerâmicas revelou grande afinidade com o conceito da 12a Bienal, que aborda o tema “feminino(s), visualidades, ações e afetos”. Convidada pela Fundação a desenvolver esse projeto a curadora Denise Mattar, juntamente com Gustavo Possamai, responsável pelo Acervo, expandiu essa percepção inicial, revelando o fio de Ariadne: a urdidura feminina que apoiou o trabalho de Iberê Camargo ao longo de sua história.

Segundo a lenda grega, Teseu foi desafiado a matar o Minotauro, que vivia no Labirinto de Creta do qual era impossível escapar. Ariadne, filha do Rei Minos, resolve ajudar o herói e lhe entrega um novelo de lã, tecido por ela, instruindo-o a desenrolá-lo à medida que adentrasse o labirinto. Assim, depois de matar o monstro, o fio de Ariadne foi o guia que levou Teseu à saída. O mito de Ariadne, que tem inúmeras interpretações filosóficas e psicológicas, mostra também como o apoio de uma mulher pode levar o herói à vitória.

A exposição reúne 37 cerâmicas, 7 tapeçarias de grandes dimensões e seus cartões pintados por Iberê, além de gravuras. É complementada por uma cronologia ilustrada reunindo fotos e depoimentos de algumas das mulheres que marcaram presença na vida de Iberê. Entre elas: sua esposa Maria Coussirat Camargo, a artista Djanira, as ceramistas Luiza Prado e Marianita Linck, as artistas Maria Tomaselli e Regina Silveira, a tapeceira Maria Angela Magalhães, a gravadora Anna Letycia, a escritora Clarice Lispector, as gravadoras Anico Herskovits e Marta Loguercio, a galerista Tina Zappoli, a produtora cultural Evelyn Ioschpe, a cantora Adriana Calcanhotto e a atriz Fernanda Montenegro.

Veja um preview das obras da exposição clicando aqui.

Abertura da exposição, dia 19/09/2020

 

Playlist com depoimentos, as “Vozes de Ariadne”

 

Live dia 11/04/2020 com Denise Mattar e Gustavo Possamai, curadores

 

Live dia 09/05/2020 com Paula Ramos: “Maria Coussirat e a vigília da memória”

 

Live dia 23/05/2020 com Andrea Giunta: “A presença das mulheres na arte”

 

Live dia 06/06/2020 com Maria Amelia Bulhões: “Cerâmicas, tapeçarias e o sistema de arte”

 

Live do dia 27/06/2020 com Blanca Brites: “Iberê Camargo e a cerâmica”

Imagem: Iberê Camargo em abertura de exposição na Galeria Tina Presser, Porto Alegre, 1983. Foto © Martin Streibel

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