Iberê Camargo – O Fio de Ariadne

Durante as décadas de 1960 e 1980, além de sua intensa produção em pintura, desenho e gravura, Iberê Camargo realizou trabalhos em cerâmica e tapeçaria. Eles respondiam a uma demanda do circuito de arte, herdada da utopia modernista, que preconizava o conceito de síntese das artes; uma colaboração estreita entre arte, arquitetura e artesanato. Pelas mãos das ceramistas Luiza Prado e Marianita Linck Iberê realizou, nos anos 1960, um conjunto de pinturas em porcelana, com resultados surpreendentes. Na década seguinte selecionou um conjunto de cartões, que foram transformados por Maria Angela Magalhães em impactantes tapeçarias. Muito presentes na arquitetura da época essas grandes tapeçarias eram chamadas por Le Corbusier de “murais nômades”.

Há algum tempo a Fundação Iberê Camargo vinha estudando essa faceta da produção do artista e a oportunidade de apresentá-la surgiu paralelamente à realização, pela primeira vez nas dependências da instituição, da Bienal do Mercosul. A conjuntura feminina que permeou a produção dessas tapeçarias e cerâmicas revelou grande afinidade com o conceito da 12a Bienal, que abordará o tema “feminino(s), visualidades, ações e afetos”. Convidada pela Fundação a desenvolver esse projeto a curadora Denise Mattar, juntamente com Gustavo Possamai, da equipe do Acervo, expandiu essa percepção inicial, revelando o fio de Ariadne: a urdidura feminina que apoiou o trabalho de Iberê Camargo ao longo de sua história.

Segundo a lenda grega, Teseu foi desafiado a matar o Minotauro, que vivia no Labirinto de Creta do qual era impossível escapar. Ariadne, filha do Rei Minos, resolve ajudar o herói e lhe entrega um novelo de lã, tecido por ela, instruindo-o a desenrolá-lo à medida que adentrasse o labirinto. Assim, depois de matar o monstro, o fio de Ariadne foi o guia que levou Teseu à saída. O mito de Ariadne, que tem inúmeras interpretações filosóficas e psicológicas, mostra também como o apoio de uma mulher pode levar o herói à vitória.

A exposição reunirá cerca de 37 cerâmicas, 7 tapeçarias de grandes dimensões e seus cartões pintados por Iberê, além de gravuras. Será complementada por uma cronologia ilustrada reunindo fotos e depoimentos de algumas das mulheres que marcaram presença na vida de Iberê. Entre elas: sua esposa Maria Coussirat Camargo, a artista Djanira, as ceramistas Luiza Prado e Marianita Linck, as artistas Maria Tomaselli e Regina Silveira, a tapeceira Maria Angela Magalhães, a gravadora Anna Letycia, a escritora Clarice Lispector, as gravadoras Anico Herskovits e Marta Loguercio, a galerista Tina Zappoli, a produtora cultural Evelyn Ioschpe, a cantora Adriana Calcanhotto e a atriz Fernanda Montenegro.

Veja um preview das obras da exposição clicando aqui.

Nota: Prevista para abril de 2020, a abertura da exposição foi adiada em colaboração às medidas de controle da propagação do novo Coronavírus (Covid-19). Quando possível, informaremos a nova data.

Live do dia 11/04 com Denise Mattar e Gustavo Possamai, curadores da exposição

Live do dia 09/05 com Paula Ramos: “Maria Coussirat e a vigília da memória”

Live do dia 23/05 com Andrea Giunta: “A presença das mulheres na arte”

Live do dia 06/06 com Maria Amelia Bulhões: “Cerâmicas, tapeçarias e o sistema de arte”

Live do dia 27/06 com Blanca Brites: “Iberê Camargo e a cerâmica”

Imagem: Iberê Camargo em abertura de exposição na Galeria Tina Presser, Porto Alegre, 1983. Foto © Martin Streibel